domingo, 21 de setembro de 2008

II Maratona de Estarreja - SAMBA ou BTT?

Fui à 2ª maratona de Estarreja Rota do Antuã, com o intuito de fazer os 40km a um ritmo calmo e descontraído, devido à gripe que me atacou esta semana.

A prova/passeio teve inicio às 9h15 e levou-nos por um percurso ao longo do rio Antuã. Após 2km de aquecimento em alcatrão, entrámos em trilhos ao longo do rio, que devido ás chuvas que caíram, estavam muito enlameados, havendo inclusive logo ali um grande engarrafamento de ciclistas.
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Até aos 15km o percurso foi o normal em termos de BTT, algumas subidas e os estradões típicos desta zona, rodeados de eucaliptos.

Após os 15km, começou o calvário para a maioria dos betetistas (habituados a uma voltinha de domingo, tal como eu), com uma verdadeira montanha russa de descidas com muita inclinação e piso escorregadio e com rochas, de elevada perigosidade, logo seguidas de verdadeiras paredes, mais próprias para percorrer de jipe ou moto.
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Dessas 7 paredes, apenas subi uma em cima da bike, todas as outras eram inciclaveis! Infelizmente numa das descidas perigosas um ciclista teve uma queda violenta, e foi retirado em maca, em cima de uma moto 4!!! As melhoras rápidas para o companheiro acidentado.

Aos 20km passei por um suposto posto de abastecimento de água (devia ter acabado), porque a única coisa que vi foi durante 500 metros garrafas vazias no chao..lamentável!

Aos 23km foi o reforço, mais uma vez a organização não disponibilizou sacos para o lixo, e quanto ao reforço, bananas, laranjas e água não são certamente o substrato energético que estávamos a precisar para enfrentar as paredes que ainda faltavam.

A partir dos 31km, o tipo de trilhos e single tracks foram bastante interessantes, assim como a travessia do rio, mas já não havia forças para discernir e apreciar a paisagem.

No final a lavagem das bikes foi rápida, mas devido a não ter comido mais nada senti-me indisposto e regressei a casa, sem usufruir do almoço.

Resumindo, foi uma maratona que teve alguns pontos positivos, um deles essencial, que é marcação do percurso, estava muito boa, embora tivessem exagerado na colocação das placas a dizer INSULTOS, nas subidas de montanhismo com as bikes às costas que nos proporcionaram. Se calhar uma placa dessas na recta da meta não ficava mal :)).

Outro ponto muito positivo, foi terem gente em todos os cruzamentos, assim como os bombeiros em vários pontos do percurso. De louvar esta preocupação!

Como já escrevi anteriormente, todo o tipo de associação tem o direito de promover a sua terra, e amealhar uns trocos para realizar outros eventos não tão lucrativos como o BTT, mas interrogo-me se uma associação de SAMBA será a organização indicada para fazer uma prova de BTT, com percursos bem delineados e balanceados em termos de esforço e perigosidade?

7 comentários:

mcguerra disse...

Como um dos participantes desta prova de escalada ups... BTT só tenho a concordar com tudo o que aqui foi dito pelo Evaristo.
O percursso e falo dos 40 pois já li que o dos 80 a parte final diga-se após a separação era ciclável poderia ter sido bem mais acessivel ok nem toda a gente conssegue subir tudo e descer tudo mas pelo menos era ciclavel o que não se viu naquele...mas pronto a vida de BTTista é esta à que seguir em frente pois quando as bikes apanham birra em vez de nos levarem temos de ser nós a levá-las a elas lol

Abraço à malta e até uma próxima num trilho deste nosso Portugal ;)

Hernâni disse...

Eu fui até ao Sicó que mete Estarreja a um canto e só paguei 10 euros,tive um percurso espectacular e um porco no espeto que estava Divinal:) só não gostei do furo que me fez parar 35 minutos e com as moscas a quererem comer-me vivo :))
Mas quanto a Estarreja eles pensaram que o carnaval ja tinha chegado e vai daí...

Anónimo disse...

Pedro, costuma dizer-se que "Quando o macaco não sabe dançar, diz que o chão está torto". O percurso era muito duro mas não era perigoso. TODAS as descidas perigosas estavam assinaladas estando em algumas elementos da organização e/ou bombeiros. Eram técnicas? sim, isso eram, mas perigosas eram se tivessem valas depois de curvas, troncos de árvores, obstáculos não assinalados, etc.. e para quem não se sente à vontade para descer pode sempre ir a pé, como muitos fizeram..
Acho que essa comparação foi mesmo muito infeliz, 1º pq antes do apoio ao Paulo Pedro já existia percurso, 2º pq a atitude da organização é de louvar e não de criticar.. O melhor então era depois da infelicidade do Paulo Pedro acabar-se com o btt, não fosse alguém cair e aleijar-se..

Quem não quer descidas técnicas valas e calhaus anda enganado no btt, na estrada é que não há nada disso..

cumprimentos,
AC

Evaristo disse...

É claro que as descidas eram técnicas, mas devido a ter chovido estavam algo perigosas, mas como é óbvio isso não é culpa da organização.

Agora as subidas não ciclaveis em exagero, mesmo se estivesse tempo seco, já é da responsabilidade de quem definiu o percurso.

Eu penso que uma prova de 40km deve ter dificuldade média, não alta, porque é nessa prova que a maior parte do pessoal que pratica BTT descontraidamente participa.

Quanto a infelicidade de outros, apenas nos resta ajudar no que for possível, e desejar as melhoras para o Paulo Pedro.

O BTT é um desporto, tem os seus riscos, mas se for praticado com algum cuidado estes podem ser minimizados. Também é verdade que nem toda a gente tem a mesma experiência, e em percursos muito técnicos isso nota-se nas descidas. Também é verdade que já vi pessoas a aleijar-se seriamente a fazer descidas a pé,devido a piso escorregadio e com rochas.

Continuem a praticar BTT com juízo, porque é isso que nos faz sentir felizes!!

Pedro disse...

Meu caro AC,

Confesso que o meu post foi feito um pouco a quente.
Mas... cada macaco dança como sabe. O meu problema são mesmo as subidas :, eu até fiz as descidas montado na bike, não todas porque havia muitas que tinha tanta gente a pê. Não dava para fazer de outra maneira senão ir como os outros...

Se tu visses o rapaz a entrar na ambulância, como eu vi, percebias o porquê da minha indignação! Algumas descidas eram perigosas não para os lentos mas sim para os destemidos! São esses que depois têm os acidentes graves.

As vezes basta encurtarem um pouco a descida, algumas até foram abertas de propósito (a direito monte a baixo, que imaginativo...)! Se bem que nem sempre é possível fazer isso.

Quanto as marcações e assistência médica não tenho nada a apontar. Eles tinham perfeita noção do perigo que existia no percurso.
Mas é sempre melhor não ser necessário usar os meios disponíveis.

Anónimo disse...

Concordo com o amigo AC.
O percurso era duro e disso não há qualquer dúvida. 2 descidas eram mais exigentes, mas todas feitas montados. Quem não sabe ou não está à vontade, não deve arriscar. Já vi quedas em descidas bem "mais faceis" logo...
As subidas sim... abusavam um pouco... para um percurso de 40km era alta a dificuldade.
Quanto à ligação com o caso Paulo Pedro, é no minimo infeliz e um pouco ridicula. Para quem não sabe o Paulo caiu num drop de 2,5m sem sinalização, na maior prova do pais, e sinais nesta prova de estarreja foi coisa que não faltou. Parabéns por isso.
Para finalizar... porquê da comparação de Samba com BTT? Há alguma razão lógica que o impeça?
A organização esteve excelente. O percurso é que era demasiado duro e exigente. Não misturem as coisas.
JS

Evaristo disse...

Como tentei explicar no ultimo parágrafo do post, é importante que as pessoas que organizam uma maratona tenham a experiência e conhecimentos para delinear percursos duros sim, mas cicláveis para a maioria dos betetistas que fazem os 40km.

Se o ano passado viram que era demasiado fácil, em vez de 40km passavam para 55km, mas nunca por toda a gente a descer e subir percursos de jipes e moto 4.

Quanto a dita excelência da organização, nas marcações e presença de pessoal de apoio ao longo do percurso sim, tudo o resto foi normal num evento deste género, excepto o fraco reforço.

Boa maratona para 2009!